Forte Defensor Perpétuo

História

O Forte Defensor Perpétuo foi construído em 1822, projetado para encabeçar o complexo defensivo de Paraty sobre pelo menos outras seis posições estratégicas. A designação presta homenagem a D. Pedro I, agraciado com o título de Defensor Perpétuo do Brasil. Apesar da nomenclatura oficial, a construção não configura tecnicamente um forte, e sim uma bateria – posição de canhões aberta na sua gola.

O chamado Morro da Vila Velha foi o local escolhido para o estabelecimento da fortificação. Como o nome sugere, a elevação abrigou o primeiro núcleo de povoamento da região de Paraty, ainda no início do século XVII. Seu fundador, João Pimenta de Carvalho, atribuiu a São Roque o patronato da povoação, construindo uma capela em sua homenagem. Após 1636, o povoado foi transferido para a planície entre os rios Perequê-Açú e Matheus Nunes, e uma nova igreja foi edificada tomando por padroeira Nossa Senhora dos Remédios.

Alguns indícios sugerem que o Morro da Vila Velha tenha servido como espaço para algum tipo de construção defensiva a partir do século XVIII, mas não há hoje fontes suficientes para confirmar tal hipótese.

O contexto do estabelecimento do Forte Defensor Perpétuo em 1822 remonta ao reforço da defesa da região em meio às tensões que culminaram com a Independência do Brasil. Após o Sete de Setembro, a ameaça de um contra-ataque português por parte das tropas leais à coroa lusitana – que ainda dominavam praças importantes, como Salvador – levou o novo governo independente a projetar um amplo incremento defensivo ao longo da costa brasileira, especialmente na província do Rio de Janeiro.

Mesmo após o reconhecimento da Independência, a fortificação continuou a ser guarnecida devido à Guerra da Cisplatina contra as Províncias Unidas do Rio da Prata (atual Argentina) que durou de 1825 até 1828. A partir deste ponto, houve um corte de gastos com o complexo defensivo brasileiro. O Forte Defensor Perpétuo alternou momentos de abandono com eventuais rompantes de preocupação em abastecer a posição de soldados e munições – como ocorreu no caso da crise diplomática com a Inglaterra em 1850.

Não são conhecidos registros históricos da ocorrência de conflitos marítimos ou tentativas de invasão por parte de piratas ou corsários, ainda que narrativas sobre naufrágios, piratas e aparições sempre tenham feito parte do imaginário de Paraty.

Em 1856, a fortificação foi desarmada pelo Ministério da Guerra e transferida para o governo provincial. Segundo relatos de visitantes, um regimento de pracinhas foi enviado para guarnecer o Forte durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1957, o Defensor Perpétuo foi tombado pela Secretaria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN, atual IPHAN), e restaurado pela mesma instituição na década seguinte. Em 1989, o edifício passou a abrigar o Centro de Artes e Tradições Populares, que abriu ao público exposições sobre a cultura caiçara e suas tradições.

O museu passou à responsabilidade do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM) desde a criação da autarquia em 2009.

Para saber mais: CASTRO, Adler Homero Fonseca de. Muralhas de pedra, canhões de bronze, homens de ferro: fortificações do Brasil de 1504 a 2006. Rio de Janeiro: FUNCEB, 2009.

 Acervo

O edifício do Forte Defensor Perpétuo preserva a autenticidade de seu interior, com três áreas internas distintas: a Casa do Comandante; a ala do Quartel da Tropa, ao centro, com as enxovias; e o Quartel dos Inferiores, onde residiam cabos e sargentos e onde hoje funciona administração. Na área externa, preserva ainda a Casa da Pólvora e a Praça de Armas.

A artilharia exposta na Praça de Armas do Forte Defensor Perpétuo é composta em sua maioria por peças de ferro fundido, calibre 12 libras, forjadas na Grã-Bretanha durante a segunda metade do século XVIII. Após as Guerras Napoleônicas (1799-1815), os canhões teriam sido vendidos para o Brasil para compor a artilharia de diversas fortificações do país. Constitui exceção a este contexto o canhão, muito desgastado, situado imediatamente à direita da Casa do Comandante, já que provavelmente foi fabricado ainda no século XVII.

Os tachos ou caldeirões para a produção de açúcar, situados no Quartel da Tropa, foram fabricados em Low Moor, nos arredores de Bradford (norte da Inglaterra), a partir de 1789.

A Casa da Pólvora, exemplar raro no Brasil deste tipo de construção, abriga amostras de importantes artefatos da tradição caiçara: as canoas feitas com troncos de árvores.

O museu conta ainda com peças oriundas de fazendas da região de Paraty-Mirim, como o tronco de escravos, o carro de boi e os tambores de Candombe. Estes últimos são testemunhos do intercâmbio cultural afro-descendente através do Caminho do Ouro durante os séculos XVIII e XIX.

 

Localização
Av. Orlando Carpinelli, 440, Pontal, Paraty-RJ

Visitação
De terça a domingo, de 9 às 12h e 14h às 17h.

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