Em Paraty, o presidente do Ibram falou sobre patrimônio material e imaterial na palestra de abertura do Festival Mimo

Angelo Osvaldo, na palestra de abertura do Mimo 2013

Angelo Oswaldo, na palestra de abertura do Mimo 2013 / Foto: Divulgação Mimo

Em sua décima edição, o festival Mimo, originário de Olinda (PE), amplia sua programação e alcance geográfico. Chega pela primeira vez a Paraty, onde acontece a primeira etapa do Mimo 2013 – a programação do evento segue logo depois para Ouro Preto e Olinda.

Na tarde de sexta-feira, o presidente do Ibram, Angelo Oswaldo, abriu o Fórum de Idéias do MIMO 2013. Ex-prefeito de Ouro Preto e ex-diretor do Iphan, Angelo ofereceu um panorama das experiências das duas cidades brasileiras que receberam pioneiramente da UNESCO o título de Patrimônio da Humanidade: Olinda e Ouro Preto. O título é pleiteado também por Paraty.

Com a autoridade de quem conhece na prática os problemas e desafios da preservação do patrimônio público nacional, Angelo comparou o título, obtido por Ouro Preto em 1982, com o título de miss. “Ele pode ser útil se a vencedora souber usá-lo. Mas pode não servir para nada.” Ou seja, na prática, a exposição que viria com um título como este poderia alavancar as soluções de problemas urbanos comuns a todas as cidades, e não só às cidades tombadas. “Todas as cidades são históricas, na medida em que cada uma tem a sua história”, disse. O desafio da preservação de edifícios antigos, do planejamaneto urbano, da contenção da especulação imobiliária seria, pois, comum a todos os milhares de municípios brasileiros.

Angelo associa a violência presente nas cidades brasileiras a uma violação estética das cidades. E atenta para o sentido original do termo “descaracterização”: “A cidade pode se transformar, pode crescer, o que é comum e inevitável. Mas ela não pode perder o seu caráter”. Cita o exemplo positivo de Brasília, que mesmo pressionada pela especulação imobiliária, preserva seu caráter original, concebido pelo urbanista Lúcio Costa. Outras cidades, como Belo Horizonte, estão perdendo essa guerra. “Belo Horizonte tem hoje menos edifícios anteriores a 1945 do que Berlim. Com a diferença que Berlim foi totalmente bombardeada em 1945”, compara.

Depois da palestra, Angelo Oswaldo visitou as unidades administradas pelo Ibram em Paraty. A primeira delas foi o Museu de Arte Sacra, atualmente em reforma. Junto com a equipe local do Ibram, visitou as diversas dependências do conjunto da Igreja de Santa Rita, que recentemente teve o telhado reformado. O museu também finalizou a instalação de armários suspensos para sua nova reserva técnica, em parceria com a empresa de restauro Expomus.

Na manhã de sábado, o presidente do instituto visitou o Forte Defensor Perpétuo, onde visitou a exposição de máscaras do mestre paratiense Natalino de Jesus Silva e pôde conferir o potencial museográfico do conjunto do Morro da Vila Velha. A administração do museu, conjuntamente com os técnicos do Ibram, vem formulando projetos visando conjugar a beleza natural do espaço com uma narrativa histórica da cidade.

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