Chiba, marrafa, canoa, marrafa, caranguejo, cana-verde, arara, ciranda.

Os mestres cirandeiros cantam uma cultura esquecida. Com a migração para a cidade, os antigos bailes da roça se tornaram cada vez mais raros. Bailes onde se dançavam “miudezas” de nomes variados, e que hoje são reconhecidos como “ciranda”.

A ciranda era uma das danças executadas nos velhos bailes de chiba, uma das miudezas que garantiam a animação de damas e cavalheiros sobre pisos assoalhados até o amanhecer. É dança de roda, roda dupla de pares, homens por fora e mulheres por dentro.

“Chiba”, dança vigorosa, era levada por horas a fio por sapateadores em tamancos de laranjeira e dançarinas em belas saias rodadas. A “tonta” fechava a festa, o sol já raiando no início da manhã. Hoje os bailes minguam, e os mestres cirandeiros só se apresentam na sede do município de Paraty e no distrito de Tarituba. Mas o vasto o repertório desses mestres cirandeiros ainda hoje animam paratienses e visitantes com suas apresentações.

A EXPOSIÇÃO
Toda essa rica memória musical da gente de Paraty está sendo homenageada até janeiro no Museu Forte Defensor Perpétuo, em Paraty. A memória da gente da roça e da cidade, da costeira e dos sertões, e também das festas religiosas, das festas de santos, com suas folias, fogueiras e ladainhas, são relembrados com fotografias, vídeos e objetos pessoais.

Um dos ambientes da exposição, decorado com oratório, a bandeira do Divino, mobília e antigas fotografias na parede reproduz uma típica casa caiçara. É possível ali ter de volta um pouco do espírito dos bailes em casas assoalhadas, de sapateados, rodas e namoros. E dos mutirões de pescadores e de agricultores, de caiçaras e de caipiras; de um período de grandes mudanças, da migração à cidade, do afastamento das roças, da chegada do turismo.

Um painel com mais de 100 nomes levantados pela pesquisa, coordenada pelo antropólogo Pedro MacDowell, técnico do Ibram em Paraty, ilustra o salão principal da exposição.

A exposição Os Nomes da Ciranda foi aberta ao público no último dia 28/9, e contou com a participação de mestres tradicionais como Seu Lourenço, Seu Amélio, Seu Verino, Dito da Laranja, Adail, Pedrinho e Zé Malvão (abaixo).

CURTAS
No salão da exposição, foi apresentado pela primeira vez o curta “No tempo do chiba”, minidocumentário produzido pela equipe do projeto Paraty Ciranda. O filme conta com trechos de entrevistados relembrando os antigos bailes que animavam Paraty. No sábado (29/9), foi exibido “Cantando verso”, que ilustra como a arte das rimas de improviso é parte da cultura dos cirandeiros.

Após a exibição dos vídeos, os mestres participaram de uma roda de conversa e “causos”, e logo depois armaram uma ciranda, que animou a praça de armas do Forte. Uma mesa com quitutes típicos — biju, manuê de bacia, bolo de milho, cuscuz, café adoçado com caldo de cana — fez a alegria dos visitantes.

A abertura da exposição coincidiu com a realização na cidade do Paraty em Foco, um dos maiores festivais internacionais de fotografia no Brasil. Alguns fotógrafos participantes do evento prestigiaram nossa programação e contribuíram com o registro das atividades com belas fotos, como estas de Joana França.

A exposição Os Nomes da Ciranda é o principal produto do Projeto Paraty Ciranda, que conta com apoio do Ibram em Paraty. O projeto, que envolve pesquisa e mapeamento da ciranda no município, foi realizado pelo Instituto Colibri e patrocinado pela Secretaria de Estado da Cultura do Rio de Janeiro.

Fotos: Joana França

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