Antes da conversa, um ritual de boas vindas / Fotos: Divulgação 

 

Personalidades femininas locais lembram história da mulher em Paraty

Como parte das atividades da 5ª Primavera de Museus, o Museu Forte Defensor Perpétuo promoveu na manhã de terça (20/9) uma roda de conversa sobre as mulheres em Paraty.

Participaram do evento Maria Izabel, produtora de cachaça tradicional da cidade; Ivanilde Pereira da Silva, presidente da associação indígena Itaxï; e Laura Santos, liderança do quilombo Campinho da Independência. Na plateia, alunos do ensino médio da rede estadual e pessoas da comunidade. A mesa foi mediada pela museóloga Andréia Rodriguez, técnica em assuntos culturais do Ibram em Paraty.

A líder indígena Ivanilde falou do orgulho de ser a primeira mulher a presidir sua associação, e do desejo de realizações a partir da confiança que sua comunidade depositou nela. Além de presidir a associação, Ivanilde também é agente de saúde da aldeia, e relembrou o preconceito inicial que sentiu por “não parar em casa”. Ivanilde falou da tomada de consciência do papel da mulher indígena nas últimas décadas e de uma mudança de comportamento individual para melhorar a comunidade e o mundo.

Maria Izabel falou sobre a percepção do potencial feminino na infância, e de como esse potencial é frequentemente deixado de lado na adolescência, quando as meninas começam a ser cortejadas e de certa forma já começam a se enquadrar num papel reducionista de esposa e mãe. Dona de um estilo de vida fortemente identificado com a Natureza, Maria Izabel relembrou sua experiência pioneira com hortas em sua comunidade há muitos anos atrás, que com o tempo se tornou um modelo apropriado por seus vizinhos.

Laura Santos, liderança do quilombo Campinho da Independência, falou da herança de um matriarcado de três mulheres e da luta cotidiana pela preservação da cultura do quilombo. Relembrou a dura vida das mulheres do passado, que apesar da pouca idade tinham sempre grande responsabilidade e consciência. Relembrou sua trajetória pessoal, de recusa do aprendizado das “prendas domésticas”, da leitura escondida dos clássicos da literatura (hábito considerado “fuga do serviço” pela mãe) e sua formação no movimento social com as comunidades eclesiais de base. Sobre o legado do matriarcado na comunidade, Laura diz que ele se reflete na postura de atitude das meninas: independente, com personalidade.

Andréia, Laura, Maria Izabel e Ivanilde: presença feminina no museu

Andréia Rodriguez, museóloga do Ibram em Paraty, relembrou seu estágio no Museu da Baronesa em Pelotas-RS, onde pode observar uma concepção da mulher do passado como uma “bonequinha”. Uma imagem que, segundo ela, não condiz com o papel histórico das mulheres da região, que em função das constantes guerras civis frequentemente se tornaram viúvas forçadas a tocar negócios como as fazendas e o comércio dos maridos. Andréia frisou a necessidade dos museus mostrarem a mulher no comando da história e do papel das mulheres de hoje na luta por essa memória.

A 5ª Primavera dos Museus acontece entre os dias 19 e 25 de setembro e terá, este ano, a participação de 589 instituições que promoverão 1.779 atividades em 310 cidades de todas as regiões do País. Com o tema “Mulheres, Museus e Memórias”, a edição deste ano abre espaço para a indagação sobre como o gênero, a mulher e o feminino estão sendo pensados na contemporaneidade.

Coordenada pelo Ibram e realizada pelas instituições museológicas brasileiras, a Primavera dos Museus acontece anualmente no início da primavera, com o objetivo de sensibilizar as instituições museais e a comunidade para o debate sobre temas da atualidade.

A programação completa das atividades está disponível no endereço www.museus.gov.br.

Anúncios